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domingo, 6 de agosto de 2017

Israel, Um Povo Muito Especial - Parte I


Depois que as primeiras pessoas caíram em pecado, Deus falou à serpente: “... Já que você fez isso, maldita é você entre todos os rebanhos domésticos e entre todos os animais selvagens! Sobre o seu ventre você rastejará, e pó comerá todos os dias da sua vida. Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar” (Gn 3.14-15).

Esse acontecimento da queda em pecado causou a separação entre o homem e Deus. No entanto, apesar de não poder mais manter comunhão direta com o homem pecador, mesmo assim o santíssimo Deus não o abandonou. Em Sua graça e amor infinitos, imediatamente após essa catástrofe com consequências extremas dos tempos mais remotos, o Senhor já prometeu um Redentor, um Salvador, uma alternativa, e a partir do Novo Testamento sabemos quem é essa Pessoa: Jesus Cristo!

Além disso, já em Gênesis 3 temos a explicação sobre a inimizade do mundo contra Israel. Sim, sem o conhecimento dos acontecimentos bíblicos não há como explicar o chamado conflito do Oriente Médio, muito menos compreendê-lo. E por quê? Leiamos novamente: [Eu] Porei inimizade entre você e a mulher”. Aqui temos três pessoas envolvidas: 1. “Eu”: o Criador; 2. “Você”: a serpente; 3. “A mulher”: Israel.

Os dois primeiros personagens são facilmente identificáveis. No caso da terceira pessoa, o livro do Apocalipse nos confirma que de fato se refere a Israel: “...O dragão colocou-se diante da mulher que estava para dar à luz, para devorar o seu filho no momento em que nascesse. Ela deu à luz um filho, um homem, que governará todas as nações com cetro de ferro. Seu filho foi arrebatado para junto de Deus e de seu trono. A mulher fugiu para o deserto, para um lugar que lhe havia sido preparado por Deus, para que ali a sustentassem durante mil duzentos e sessenta dias. [...] Então a serpente fez jorrar da sua boca água como um rio, para alcançar a mulher e arrastá-la com a correnteza. A terra, porém, ajudou a mulher, abrindo a boca e engolindo o rio que o dragão fizera jorrar da sua boca. O dragão irou-se contra a mulher e saiu para guerrear contra o restante da sua descendência, os que obedecem aos mandamentos de Deus e se mantêm fiéis ao testemunho de Jesus” (Ap 12.4-6,15-17).

Assim, no caso dessa mulher, não se trata de ninguém mais além de Israel. Pois, nem Eva, a única mulher que vivia quando Deus pronunciou a maldição sobre a serpente, nem Maria, a mulher que gerou a Jesus, foram perseguidas dessa maneira pelo dragão do Apocalipse. Além da mulher, também a serpente (isto é, o dragão) de Gênesis aparece novamente no livro do Apocalipse. Essa guerra da serpente (Satanás) contra a mulher e seus descendentes não é uma guerra contra Eva ou Maria, mas uma guerra contra Israel e sua descendência.
Apesar disso, Eva e Maria também são incluídas. Deus disse que o Libertador (Messias, Cristo) viria da semente da mulher. Assim, ele não seria descendente de um homem, ou de uma mulher e um homem, mas unicamente da semente de uma mulher. Vemos que já em Gênesis 3 é mencionado o nascimento virginal de Jesus Cristo, que foi realizado através da virgem Maria. Todas as pessoas que descendem da semente de Adão nasceram em pecado (Rm 5.12). Jesus, no entanto, não nasceu da semente de um homem. Ele também foi o único que viveu na terra, em todos os tempos, que não teve pecado ou culpa. Assim, esse Jesus, plenamente inocente, foi o único que poderia tomar o pecado do mundo sobre Si (ver 1Pe 2.22; Jo 1.29).

O texto de Gênesis 3.13 continua: “Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela...” Surge então a pergunta: quem são esses descendentes de Satanás (serpente) e o(s) descendente(s) da mulher (Israel)?

Creio que podemos dizer que tudo e todos que não pertencem a Deus e a Seu Filho Jesus Cristo, e não possuem o Espírito Santo, podem ser considerados como descendência da serpente (Satanás). Isso, então, se refere a tudo que for anticristão, incluindo, por exemplo, o Islã e qualquer outra religião, assim como todos os ateus e cristãos nominais.

A descendência da mulher (Israel), em primeiro lugar, é constituída pelo Filho de Deus, Jesus Cristo, nascido como judeu, em Israel! A ela pertencem, em última análise, todos – tanto judeus como gentios – que creem no Senhor Jesus (ver Ef 2). A passagem de Gênesis 3.15 esclarece ainda que o descendente da mulher, isto é, Jesus Cristo, “ferirá a cabeça” de Satanás. De fato, o Senhor Jesus destruiu o poder de Satanás, venceu a morte e, assim, feriu a cabeça da serpente (Satanás) (Hb 2.14; ver Rm 16.20). Além disso, Gênesis 3.15 diz que a serpente (Satanás) ferirá o calcanhar de Jesus Cristo. Isso poderia ser uma alusão clara ao Gólgota. Ali, onde Jesus Cristo, a semente de Israel, feriu a cabeça da serpente, Seus pés foram perfurados e pregados na cruz.

Jesus Cristo morreu, porém, não permaneceu entre os mortos, mas ressuscitou dentre os mortos no terceiro dia! Desse modo, já bem no início, a Bíblia mostra o Plano de Salvação de Deus para o homem, que culmina em Seu Filho Jesus Cristo. Nesse plano, um determinado povo desempenha um papel de importância descomunal: Israel. Também já podemos ver a luta das forças anticristãs contra o povo de Deus, Israel, contra o Filho de Deus, Jesus Cristo e contra a Igreja do Deus vivo. Acontece que também nós, os gentios, que cremos em Jesus Cristo, somos incluídos nessa guerra, porque afinal também pertencemos à semente da mulher, Jesus Cristo. Assim, a guerra do islamismo anticristão não é dirigida somente contra Israel, mas finalmente é uma guerra contra nós, os cristãos, contra a Igreja de Jesus Cristo. Ao trazermos as afirmações de Gênesis 3 para os dias atuais, poderemos compreender claramente por que o Islã – mas também tudo o que é anticristão – briga com tanta veemência pela posse da área do Templo. Trata-se de uma guerra entre Deus e Satanás, entre a Luz e as trevas. 



Por: Thomas Lieth
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