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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A ética pastoral e o sigilo sacerdotal


No mundo profissional, ouvimos muito falar sobre ética. Ou seja, todo profissional, ao realizar as suas atividades, precisa ter em mente um conjunto de regras que devem ser obedecidas, pois a ética se refere a um conjunto de normais morais pelas quais o indivíduo deve orientar seu comportamento na profissão que exerce. Enfim, no âmbito profissional, há esta preocupação com a ética, ou seja, regras de conduta são observadas quando se exerce uma profissão. E quando falamos de vida eclesiástica, a ética tem sido observada? Há também um código de conduta ética para aqueles que exercem o ministério pastoral, por exemplo?

A este respeito, podemos afirmar que a própria Palavra de Deus é o código de

conduta ética para aquele que anuncia o evangelho da Salvação. Na Bíblia, são descritos claramente valores a serem seguidos e observados por aqueles que exercem o pastoreio. Mas será que a ética tem realmente sido observada neste sentido?

Quando penso em ética pastoral, logo me vem a mente a questão do sigilo sacerdotal. Por ter alguns artigos publicados em sites evangélicos, constantemente recebo pedidos de aconselhamento diversos, de pessoas que nunca conheci e provavelmente jamais conhecerei. A grande maioria procura a ajuda de uma espécie de pastor virtual. E percebo, neste sentido, que na maioria dos casos, esta procura se dá porque muitos não confiam em seus pastores. Enfim, são pessoas que têm medo de expôr seus sentimentos e vê-los em seguida sendo partilhados em púlpitos, reuniões ministeriais e nos corredores da Igreja. Certa vez, aconselhei uma jovem que me pediu ajuda porque expôs uma situação muito íntima para sua pastora e esta, por sua vez, compartilhou a questão para alguns membros do grupo jovem de sua Igreja. O resultado foi catastrófico, pois ao tomarem conhecimento da situação, que era muito delicada, pois envolvia a questão do homossexualismo, os jovens daquela Igreja começaram a tratar a moça com indiferença. Ela então ficou sabendo que todos sabiam de seu problema. Aquela jovem então nunca mais colocou os pés em uma Igreja evangélica. Ou seja, houve uma grande falta de ética pastoral na relação pastor-ovelha. Faltou credibilidade, discrição e confiança.

Na verdade, o pastor precisa entender que nas suas mãos é depositada uma

responsabilidade muito grande, enfim, o pastor é chamado para cuidar de vidas e de ser instrumento nas mãos de Deus para curar feridas profundas e, portanto, precisa ter a discrição e a fidelidade de saber guardar em segredo confissões que jamais devem ser expostas, pois tudo o que uma ovelha precisa é de alguém que possa confiar, ou seja, alguém a quem possa confessar, muitas vezes, as suas culpas, como descreve a Palavra, para alcançar a cura “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados...” (Tiago 5:16). Só que lamentavelmente, muitas ovelhas esbarram nesta falta de ética pastoral e acabam, consequentemente, sofrendo grandes decepções quando se deparam com a exposição de sua intimidade perante à Igreja de forma completamente leviana.

Creio que é momento de pensarmos um pouco na ética pastoral, no sentido de

aqueles que exercem este importante ministério tenham mais discrição no trato com as ovelhas que o Senhor colocou em suas mãos para cuidar, pois a ausência desta ética pode, consequentemente, afastar muitas pessoas do verdadeiro evangelho ao se

depararem com as suas feridas expostas, sem ética alguma, gerando situações completamente dolorosas e desconcertantes.

 
 
 
 
 
 
 
 
Por: Pra. Ioná Loureiro
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