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domingo, 17 de abril de 2011

A Força da Esperança


"Há esperança para o teu futuro, diz o Senhor (...)" Jr 31.17

Durante o período que antecedeu a invasão babilônica à Judá, no século 6º A.C, o profeta Jeremias, homem solitário, devido a sua mensagem impopular (Jr 15.17), e em oposição aos profetas aliados ao poder institucional, que desprezavam a voz inconfundível de Deus, afirmava que o exílio que se aproximava era inevitável. Jeremias, diferente de alguns profetas contemporâneos seus, insistia em anunciar uma época difícil, e dolorosa para toda nação, que incluía a destruição da cidade da “glória eterna”, Jerusalém. Para Judá, tomada pelo desvario e pela ausência de consciência em relação aos seus pecados e terríveis escolhas, isto era algo impossível de acontecer. Para Jeremias, a aliança com Deus estava firmada em fidelidade, justiça e no amor aos pobres, e não em meros rituais desencarnados de uma vida comprometida com a Lei justa de Deus. Isto o fazia ser combatido e desprezado.

Mas apesar do anúncio forte e do conteúdo constrangedor das profecias de Jeremias (suas profecias trouxeram à tona a terrível situação moral e espiritual da nação – governo – sacerdotes - povo), não é difícil perceber a docilidade do amor divino, o seu lamento e dor em meio a um conteúdo impopular. Por isso, ainda que as profecias apontassem o exílio como algo inevitável, a mensagem da esperança se sobressai e perpassa todo o seu discurso profético. Jeremias não deve ser entendido como um iracundo radical, que não concebia as possibilidades transformadoras do amor de Deus, e que desejava que o caldeirão do furor divino fosse derramado sobre todos implacavelmente. Ao contrário, seu anúncio profético incluía a possibilidade do perdão e da reconstrução, elementos sempre desejados pela ação divina. Era isto que o possibilitava afirmar que havia esperança no futuro (Jr 31.17).

Porém, para se entender esta afirmação do profeta, se faz necessário compreender o que é a esperança e o que ela pode suscitar. A esperança não é algo desencarnado da realidade histórica, de nossas possibilidades de realização ou uma convicção ancorada na fantasia e na improbabilidade. Ao contrário, ainda que tenha um sentido de realizar ‘utópico’, e por isso, ela (esperança) deve ser compreendida como o combustível que alimenta sonhos distantes e aparentemente improváveis, mas que a partir de uma pequena centelha de força e capacidade existentes em nós, transforma pequenos em rochedos fortes. Outro detalhe importante para se compreender a mensagem profética de Jeremias, é que a esperança judaico-cristã está fundada na impossibilidade da negação do amor de Deus.

Sendo assim, ainda que tenhamos de enfrentar o exílio, o desprezo, e a ausência de apoio daqueles que esperávamos tanto, podemos confiar que a noite escura não se prolongará eternamente. Assim como Jerusalém, anos mais tarde, foi reconstruída, levantada dos destroços, podemos, firmados no amor e na eleição divina, acreditar que há possibilidade de reconstruir e recomeçar. É devido a esta compreensão que o profeta insistia: “Bendito o ser humano que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor. Porque ele é como árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e, no ano da sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto” (Jr 17. 8-9). Então, querido (a) abra-se para recomeçar, para reconstruir, para ressurgir e para prosseguir..... Alimenta a esperança...

 
 
 
 
 
 
 
 
 
Por: Pr. Rev. Marco Antonio de Oliveira
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