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domingo, 17 de abril de 2011

Filhos contrariados


Contrariar um filho dá uma dor de cabeça enorme. Geralmente, quando dizemos um não para um filho, nos deparamos com cenas que muitas vezes nos angustiam. Cara feia, lágrimas, pirraça e muitas vezes ouvimos aquilo que jamais queríamos ouvir. Palavras que ferem, que doem, pois filhos sempre querem ouvir um SIM e quando são contrariados, colocam para fora uma fúria que nos surpreende. Sempre querem fazer o que acham que é certo, pois se vêem como os verdadeiros donos da razão. Não aceitam e não entendem a experiência e os conselhos de quem conhece muito bem a vida. Mas embora seja doloroso e trabalhoso, filhos devem ser contrariados. Do contrário, se tornarão homens e mulheres sem limites que acharão que podem fazer tudo o que estiver em suas mentes. Não saberão respeitar e encarar as condições e os limites que foram estabelecidos em prol de sua própria segurança. Eu ainda me recordo bem do desejo que tive na infância de fugir de casa, diante das constantes negativas de minha mãe. Lembro até hoje da minha gaveta, das roupinhas arrumadas prontas para colocar na sacola e fugir para longe em busca da tão sonhada liberdade. Só que o tempo passava e a coragem de fugir ia embora quando percebia que mamãe tinha toda razão. Creio que a turminha da antiga sabe muito bem o que estou falando.

Neste contexto, trago a reflexão a história do jovem Adonias, filho do rei Davi. Nunca contrariado pelo pai, achava que podia fazer o que bem queria “E nunca seu pai o tinha contrariado, dizendo: Por que fizeste assim? ...” (I Reis 9:06). Desejou, a qualquer custo, assumir a posição de seu pai no reinado, lugar que seria de seu irmão Salomão. Procurou dar o seu jeito para subir ao trono, mas seus intentos acabaram sendo desfeitos “Então Adonias, filho de Hagite, se levantou, dizendo: Eu reinarei. E preparou carros, e cavaleiros, e cinqüenta homens, que corressem adiante dele” (I Reis 1:5). Nâo conformado com o “não”, buscou casar-se com Abisague, jovem donzela que havia cuidado de seu pai na velhice “E ele disse: Peço-te que fales ao rei Salomão (porque ele não te rejeitará) que me dê por mulher a Abisague, a sunamita” (II Reis 2:17). Queria, a qualquer custo, ocupar a posição de um rei. E em meio a sua mania de querer fazer o que se quer, acabou morrendo, sendo assassinado a pedido de seu irmão Salomão, que ordenou a sua morte por tornar-se uma possível ameaça a seu reinado “Agora, pois, vive o SENHOR, que me confirmou, e me fez assentar no trono de Davi, meu pai, e que me tem feito casa, como tinha falado, que hoje morrerá Adonias” (I Reis 2:24). Um final trágico para um jovem que não tinha limites, que não estava acostumado a ser contrariado.

Em nossa sociedade, nos deparamos com jovens assim, como Adonias. Jovens que não são questionados por seus pais, jovens que fazem o que querem e a conseqüência é a que vemos em nossos dias. Jovens entregues às drogas, à prostituição, à rebeldia. Jovens abandonando seus pais e entregues a um mundo frio, que sem piedade, faz as suas vítimas. Entendo que como pais, precisamos contrariar os nossos filhos quando preciso, ainda que seja algo que nos custe, para que cresçam entendendo que é preciso ter limites e que nem tudo nesta vida lhes é permitido. Agindo assim, pouparemos os nossos filhos de finais tristes e sombrios, como aquele vivido pelo jovem Adonias, que acabou se perdendo em meio a sua mania de não respeitar os “nãos” que a vida lhe apresentou.

“Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza. Mais tarde, porém, produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados. (Hebreus 12:5-11 NVI)

 
 
 
 
 
 
 
 
 
Por: Pra. Ioná Loureiro
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