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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Igreja nas casas - Vivendo relacionamentos


Estamos em um momento complicado na caminhada da Igreja de Cristo. Falam de nova Reforma, outros sugerem uma reforma como a de Lutero (e isso em pleno século XXI), com utilização de vestimentas, paramentos, adornos, cores litúrgicas, e outros devaneios. É como se tentar tratar da violência urbana no Rio de Janeiro utilizando caveirões, mais policia, mais armas e... só. Nada de mudanças estruturais, educação, igualdade social, projetos sociais, etc. Apenas damos analgésicos, tratamos da conseqüência, não da causa. No evangelho falamos de teologia e não do que tem nos levado a uma vida vazia e irmãos que se parecem cada vez menos com discípulos de Jesus.

Passado o momento em que o Evangelho tinha dificuldade de penetração no Brasil, crescemos (para alguns mais críticos, inchamos), e passamos a fase da banalização do Evangelho, da utilização da mídia de maneira desgovernada e, o pior neste momento, da templolatria ou mesmo cultolatria. E o que viria a ser isso? Para nós seria a definição da vida cristã centrada nos “cultos”, nos agrupamentos, nos templos (maiores ou menores...).

Antes, em nossa Comunidade, tamanha era a nossa própria confusão com tantos conceitos e métodos que não sabíamos ao certo o que queríamos ser como Igreja. Ainda sofremos com os sintomas iniciais de todo trabalho que é plantado, com todas as diversas dificuldades, mas finalmente, com a ajuda do Senhor da Igreja, começamos a definir para onde iremos. Ou seja, temos pessoas especiais, líderes em potencial, povo amoroso e trabalho, sim, muito trabalho! Mas não queremos dedicar todas as nossas forças para que tenhamos a 3ª. Feira da Vitória, a 6ª. Feira da Prosperidade ou a 2ª. Feira da Família, onde parece que todos os problemas serão resolvidos de maneira mágica!

Em meio a tudo o que temos hoje, somos tentados a perpetuar o mesmo que aprendemos: culto como centro da vida cristã. Parece que é a partir dele que nossas “baterias são recarregadas”, a benção de Deus está ali... Mas precisamos afirmar que não é apenas através do culto no templo! O culto é apenas uma parte da vida cristã (e que tem o seu espaço e importância), mas começa em nossa casa, em nossa vida devocional. E é daí que surgiu esta reflexão.

O culto no templo se torna culto do templo, onde trabalhar no Reino significa ter alguma tarefa em uma das reuniões. Mas sabemos que trabalhar no Reino é muito mais do que isso. É viver uma vida de relacionamentos, buscar o perdido, abraçar a todos, contribuir na expansão da “família de Cristo”, etc. Hierarquia não existe como modelo de disputa por cargos. Aliás, não existem cargos, mas funções no Corpo. Não existe o ministério do “pastor A”, ou projetos denominacionais, cujo objetivo oculto é a projeção de si mesmo. O que deve existir apenas é o Reino de Deus!

Quando alguém canta, pensa-se que cantar é a tarefa de tal pessoa no Reino. Não! Isso seria muito pouco. Nem quem serve na cantina pode se eximir de outras responsabilidades. Deus nos chamou para cuidar de pessoas, tratá-las, orar com elas, ouvi-las, investir em relacionamentos. O que fazemos aos domingos é importante, mas não é suficiente. Precisamos ser Igreja onde quer que estejamos, em nossos trabalhos, escola, faculdade, etc.

Nossa proposta é a de Igreja nas casas, grupos pequenos, vida de relacionamento. Mais simples e mais profunda! Tão pouco grupo pequeno (a que chamam hoje de maneira pejorativa(!): células) pode ser entendido como culto (como entendemos culto – louvor, avisos, palavra) no lar. É sim, espaço para compartilhar, orar, conhecer, se expor. Por conta desta visão já conhecida, mas deturpada, quando tornaram-nas apenas como grupos de crescimento cujas reuniões mais parecem “marketing de rede”, com metas, incentivos persuasivos e competição. Na verdade, os grupos existem para que pessoas se aproximem do Rei, permaneçam nEle. Tudo isso através de pessoas, através de relacionamento (última vez que cito esta palavra).

Paulo, o apóstolo, conhecia as pessoas pelo nome e inúmeras vezes saudava as pessoas e as igrejas que se reuniam em suas casas (vejam Rom.16:5, 23; I Cor. 16:15, 19; Filip. 4:22; Col. 4:15, entre outras). Paulo fala de cooperadores no texto citado no título e em outros. Fala de pessoas que não serviam no templo, mas davam as suas vidas por outros, pelos de casa, pelos irmãos. Animavam os desanimados, fortaleciam os fracos, oravam pelos enfermos, choravam pelos que choravam, sorriam pelos que felizes estavam. ESTE É O VERDADEIRO TRABALHO! É nos lares que tratamos problemas conjugais, atritos entre irmãos e não-irmãos. Desta forma apresentamos uma nova (nova? sim, nova!) proposta do Reino de Deus. Igreja nos lares, partir o pão de casa em casa, vida de discipulado, Reino de Deus, povo semelhante a Jesus!





Por: Pr. Márcio Duran
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