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domingo, 17 de outubro de 2010

O grito inquietante da alma


“Como suspira a corça pelas correntes das águas,
assim, por ti,Ó Deus, suspira a minha alma.” (Sl. 42:1)

Sim, a alma clama! Você até pode não entender, conseguir suprimir, abafar, fingir não escutar. Mas nem por isso ela deixará de requisitar... Como um megafone a serviço da existência ou o toque da trombeta que se faz ouvir, o grito da alma sinaliza um desejo, uma falta, uma ausência. No mundo interno de cada ser humano, desejo e ausência tem voz e produz sentimentos, lágrimas... Por isso o salmista é levado a indagar-se: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim?” (Sl. 42:11) Ao invés de ir ao “Shopping Center” e comprar o que não precisa ou, quem sabe, sentar-se à mesa e comer todos os doces que, enfim, não realiza ou, ainda, buscar qualquer outra forma de prazer que o apetite da alma não justifica, o autor do salmo opta pela solitude.

 Ele deixa o barulho das multidões, os subterfúgios das soluções e passa a dialogar consigo. Indagar e silenciar... silenciar e indagar... indagar e silenciar. Então, depois de ter ouvido a voz do seu silêncio, ele passa a entender: “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo...” (Sl 42:2). Não é o consumo, não é a posição social, não são as finanças, não é o sexo, não é o prazer. O motivo do desconforto interno é a ausência de Deus, de Jesus (Jo. 15:5), do pão da vida (Jo. 6:35). Como disse Tereza de Ávila: “Aquieta-te em solitude e encontrarás o Senhor em ti mesmo”. Assim, o objeto do desejo é verdadeiramente encontrado e o grito da alma poderá ser saciado. Depois de si ouvir, silenciar-se e dialogar consigo, o salmista pode, então, responder a sua alma: “Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu” (Sl. 42:11). Por algum motivo o autor desse salmo se via impedido de gozar a presença de Deus.

Por isso ele diz: “pois ainda o louvarei...” Se você que lê esse artigo é um cristão, esse salmo deve te encher de esperança e da certeza de que apesar da conjuntura você pode resgatar a hora devocional em sua vida e assim satisfazer o anseio da alma em Deus. Caso você seja um religioso não praticante, um profissional assoberbado de trabalho ou um desempregado agonizante, um jovem drogado ou um homem ou uma mulher desesperada esperando descanso para a alma cansada e desvinculada de Deus saiba que o sentido da vida e o descanso da alma não são adquiridos através de coisas. Lembra? O grito da alma significa um anseio, um desejo.

Um desejo significa uma ausência. E no caso da alma humana, ausência de Deus, suspiro pelo Criador, segurança interna que só a paternidade divina pode oferecer. Por isso, tome uma iniciativa. Responsabilize-se pelo dom da vida que Deus te deu. Sendo assim, quero terminar estendendo a você a pergunta do salmista: “Quando irei e me verei perante a face de Deus?” (Sl. 42:2). Que o Senhor nos abençoe!



Por: Cláudio Paranhos
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