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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Até onde vai a misericórdia de Deus?


Certa vez ouvi atentamente ao sermão de um pastor, o qual falava de homens que outrora foram bandidos perigosos, mas uma vez encarcerados, arrependeram-se e creram no evangelho da salvação. Este pastor era um deles. O modo de ele falar, e sua postura eram de um crente em Cristo, não tenho dúvidas disto. Jamais duvidei do poder e da multiforme graça de Deus para transformar vidas. Não foi o apóstolo Paulo transformado? Não foi o centurião Cornélio, um dos chefes da guarda Romana, transformado pelo evangelho de Cristo? Talvez este soldado já tivesse matado muitos homens em sua vida, mas como Deus pôde perdoar tal homem? Certamente esta é a graça de Deus que, como humanos, alguns de nós não entende, ou até entendemos, mas com certa dificuldade.

Creio que Deus tenha dado autoridade a alguns magistrados para aplicarem penas de morte, em alguns países, e se estes assim o fazem, com justiça, aplicando a pena para o crime cometido, não pecam, pois estão sob a autoridade Divina (Rom 13). Entretanto, Deus teve misericórdia em outros países não permitindo tal pena capital. Isto é Deus quem decide (Rom 9:14-16).

Mas hoje estava refletindo sobre nós, os Cristãos, os que creram no evangelho da Salvação, mas continuamos pecando, pois somos humanos. Um pecadinho aqui, um ali, um pensamento impuro aqui, outro ali. Então nos esforçamos para corrigir, nos sentimos culpados, pedimos em oração perdão ao Senhor, mas parece que a tentação nunca vai embora definitivamente. Ontem estava vendo um programa na emissora Portuguesa SIC, sobre alguns monges chamados ‘Cartuchos’. Estes monges isolam-se em um mosteiro, e como os monges de outras religiões, privam-se das coisas do mundo: não vêem televisão, não acessam a internet, não têm contato com mulheres, nem mesmo com suas famílias. Deixam tudo para uma vida regrada, de muita oração, disciplina e etc. Estão santificando-se. As vezes dá vontade de ser como um deles. Isolar-se e servir a Deus assim. Mas como Jesus certa vez, respondendo aos discípulos sobre o casamento, disse: “... Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido” (Mat 19:11). Parece-me que a resposta do Mestre sobre esta questão do casamento é que alguns conseguem não casar e permanecem solteiros, já outros não conseguem conter-se e assim casam-se. Mas e estes solteiros, ou voltando ao exemplo anterior, estes monges isolados não sentem desejos sexuais por mulheres? Sim, creio que sentem. Mas conseguem controlar-se, pois “assim lhes foi concedido”. Logo, os monges Cartuxos isolam-se porque têm esta habilidade que lhes foi concedida. Eu não conseguiria ficar 1 ano isolado assim como eles o fazem, confesso.

Mas por não estarmos isolados, como estes monges, temos contato com o mundo impuro, pecador, e então as tentações nos atacam. Qual o crente que não é tentado e por isto muitas das vezes cede à tentação? A tentação vem de várias formas: sexual, gula, poder, egoísmo, ganância, e tantos outros malefícios conforme também registrado no livro de Gálatas 5:19-21. Estes são os frutos da carne. Mas somos chamados à lutar contra estes frutos do mal e seguirmos os frutos do Espírito, conforme Gálatas 5:22. Porém, é esta luta que nos angustia e que nos entristece. Vivemos entristecendo o Espírito Santo que habita em nós. Seja por um pecadinho mínimo, seja por um pecadão, depois do ato cometido, ficamos tristes porque pensamos em como nosso amado Deus nos abençoa, e como temos sido injustos, não só pelo que Ele fez e faz por nós, mas pelo que Ele é. Deus é Santo e quer nossa santificação (Lev 19:2). E o Senhor é o nosso Pai querido, nosso Deus, nosso protetor, nosso Salvador etc.

Dai vem a pergunta: Até onde vai a misericórdia de Deus?

Se vamos pecar até morrer, seja por pensamento, por atos, seja um pecadinho ou pecadão, até onde Deus vai nos perdoar? Creio que nenhum ser humano (mesmo os monges Cartuchos, que isolam-se) pode dizer que não vai cometer pecado até o dia de sua morte. Pois se estamos na carne, infelizmente, vamos de alguma forma pecar. Por que digo “pecadinho” ou “pecadão”? Porque, ao contrário de alguns teólogos, creio que há distinção SIM entre um e outro. Um exemplo disto foi a resposta de Jesus a Pilatos em João 19:11 - "Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem."

Ué ?? Se não há distinção entre ‘pecadinho’ e ‘pecadão’ porque Jesus diz que “aquele que o entregou a Pilatos para o crucificar (neste caso, Judas Iscariotes) , teria um maior pecado? Entendo que há sim distinção entre pecados. É verdade, porém, que Deus pode perdoar qualquer pecado, havendo arrependimento. Mas que há distinção entre pecados, isto há! Mas voltando ao assunto, creio que a resposta ao tema principal, é que Deus perdoa sem cessar, e sua misericórdia é infinita. O apóstolo Paulo nos ensina em Romanos 8:32 - "Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?"

E, ainda, em Romanos 8:38,39 - "Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor."

Apesar deste tão imensurável amor de Deus por nós, apesar deste perdão infinito que Ele nos concede em Jesus Cristo, seu Filho, Deus não quer que sejamos submissos ao pecado. Deus não deseja que entristeçamos seu Espírito que em nós habita, e quando pecamos, é exatamente isto que fazemos. Deus quer nossa santificação contínua. Por isto, devemos lutar, lutar e lutar contra as tentações deste mundo. Devemos nos preparar lendo a palavra de Deus, enchendo nossas mentes das coisas de Deus, e praticando o bem em todo tempo. Esta luta é necessária e contínua. Não podemos nos acomodar com o pecado, mas como diz as Escrituras, devemos “aborrecê-lo”.

Minha oração é para que nós venhamos ter forças para lutar contra este inimigo que é o pecado. Fico confortado quando lembro que nosso Senhor Jesus sendo Deus, fez-se carne, tornou-se como ser humano, e nos deu exemplo com sua própria vida quando aqui pisou, não cedendo às vis tentações deste mundo. Mas Ele as venceu, pelo seu proceder e assim nos ensinou, e tornou-se digno de ser nosso advogado perante o Pai (1 João 2:1). Jesus é o nosso exemplo, é o nosso modelo a seguir. Leia sobre Ele, fortifique-se nEle, e peça a Ele para interceder por você. Não ceda ao pecado, aborreça ao pecado e continue glorificando a Deus em sua vida.

Que O Senhor Deus, Pai Todo Poderoso, compadeça-se de nós, pecadores, e nos fortifique pelo Espírito Santo da promessa, nesta batalha do dia-a-dia, pela purificação e santificação, através do sangue do Cordeiro, Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou dos mortos, e vive e Reina, pelos séculos dos séculos.

Abraço cordial em Cristo Jesus, nosso Senhor e Rei Eterno.


Por: Márcio C. Rossi Bettecher
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