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sábado, 31 de julho de 2010

Evite a mutação da igreja de Deus


Fortalecendo nosso Fundamento - II 1 Pedro 2:4,5 Nossa expressão corriqueira, “Fulano perdeu o caminho de casa”. Fala de alguém que ficou confuso, desorientado. Num certo sentido, a Igreja de Jesus “perdeu o caminho de casa”. Através de um “acidente” histórico, diabolicamente preparado, a Igreja deixou de ser aquele corpo vivo, baseado em relacionamentos entre os irmãos, que segundo o Novo Testamento vivia grande parte de sua vida nas casas, para tornar-se algo religioso, cerimonioso e confinado em locais “sagrados”. Os relacionamentos entre os irmãos constituem um importante aspecto do nosso fundamento como Igreja.

Nos últimos dias, com grande senso de expectativa no coração, comecei a rever esse importante assunto, e fui chocado pelo seu caráter fundamental. Como exemplo apenas, veja novamente o nosso velho texto de Atos 2:42 – E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. O texto diz depois que eles estavam juntos e tinham tudo em comum (v. 44). No v. 46, lemos que eles Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração. Entenda algo muito importante: aqueles irmãos perseveravam na doutrina dos apóstolos (como diz a NVI, se dedicavam ao ensino dos apóstolos) porque permaneciam juntos e estavam, diariamente, nas casas uns dos outros. Como é que eu sei disso? Simples!

Em primeiro lugar, sabemos o que é doutrina dos apóstolos. Recorde Tito 2:1-6: Você, porém, fale o que está de acordo com a sã doutrina. Ensine os homens mais velhos a serem moderados, dignos de respeito, sensatos e sadios na fé, no amor e na perseverança. Semelhantemente, ensine as mulheres mais velhas a serem reverentes na sua maneira de viver, a não serem caluniadoras nem escravizadas a muito vinho, mas a serem capazes de ensinar o que é bom. Assim, poderão orientar as mulheres mais jovens a amarem seus maridos e seus filhos, a serem prudentes e puras, a estarem ocupadas em casa, e a serem bondosas e sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja difamada. Da mesma maneira, encoraje os jovens a serem prudentes.

Agora os versículos 9 e 10: Ensine os escravos a se submeterem em tudo a seus senhores, a procurarem agradá-los, a não serem respondões e a não roubá-los, mas a mostrarem que são inteiramente dignos de confiança, para que assim tornem atraente, em tudo, o ensino de Deus, nosso Salvador. Esta é uma parte da doutrina dos apóstolos; não comentários teológicos sobre a Santíssima Trindade, mas antes um ensino prático, voltado para a vida: como deve viver um discípulo de Jesus, alguém que está sendo edificado como parte da Igreja? Agora, como um ensino desses pode ser ministrado? Certamente, podemos convertê-lo em princípios gerais, e ensinar esses princípios numa reunião como esta; isto é válido e tem seu lugar, mas não é a melhor maneira de levar o povo a perseverar na doutrina dos apóstolos.

A Igreja, no princípio, estava junta nas casas porque fora isso que os apóstolos aprenderam com Jesus; era para um tipo de relacionamento assim, de proximidade, de andar junto, de viver junto, em suma, de discipulado, que Jesus os chamara. E, quando a Igreja começou a realizar seu ministério, foi muito natural que os apóstolos reproduzissem aquilo que aprenderam com Jesus. Nas casas, em relacionamentos, tendo comunhão uns com os outros – é nesse ambiente que a doutrina dos apóstolos pode ser ensinada. Volte comigo para outro texto fundamental: Mateus 28:18-20 Então, Jesus aproximou-se deles e disse: “Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei”.

O trabalho que Jesus nos deu para fazer é o de fazer discípulos; e fazer discípulos acontece quando batizamos essa pessoa (através desse ato ela demonstra sua disposição de obedecer ao Senhor, seu arrependimento, o fato de que ela morreu para sua vontade própria) e a ensinamos, não a saber o que Jesus ensinou, mas a obedecer. Com isso em mente, volte a pensar em Tito 2. Precisamos ensinar os irmãos, não a saber como o marido deve ser, como a mulher deve ser, etc., etc. Precisamos ensiná-los a obedecer. Se nosso trabalho fosse apenas ensinar a saber, então uma reunião como esta, ou a Escola de Ministérios, ou a Escola da Família, bastariam. Mas, como precisamos ensiná-los a obedecer, precisamos estar perto deles. Precisamos estar nas casas, onde podemos ver se o ensino está sendo realmente praticado.

Além disso, Jesus sempre ensinou pelo seu exemplo, nunca de outra maneira. Veja Lucas 11:1 Certo dia Jesus estava orando em determinado lugar. Tendo terminado, um dos seus discípulos lhe disse: “Senhor, ensina-nos a orar, como João ensinou aos discípulos dele”. O que motivou o interesse do discípulo foi o exemplo de Jesus, e não uma apostila muito bem escrita sobre oração. Entre nós, há muitas pessoas maduras, cujas vidas são exemplo da sã doutrina. Não precisamos dessas pessoas no púlpito, pregando sobre esses princípios. Uns poucos podem fazer isso, e está bem feito. Precisamos dessas pessoas nas suas casas, rodeadas de discípulos de Jesus que, confiados aos seus cuidados, como filhos a um pai, estão vendo seu exemplo e aprendendo com elas a se tornarem também pessoas maduras em Deus.

Precisamos desse nível profundo de relacionamento, que se obtém nos grupos pequenos, para sermos realmente edificados como Igreja. A Igreja acontece nos relacionamentos. Corremos o risco, sempre, de perder de vista o que é a Igreja. Tudo em nosso tempo tenta nos levar a uma visão errada acerca dela. Por exemplo, podemos olhar ao nosso redor e ver quanta gente há nesta reunião, quantas coisas temos feito, como ficou bonito nosso CD, e achar que, por causa de tudo isso, a Igreja está bem edificada. Só que essas coisas ainda não são a Igreja! A Igreja são as pessoas que estão conectadas, em relacionamentos verdadeiros. Vamos aprender um pouco sobre isso. Lemos em 1 Pedro 2:4,5 – À medida que se aproximam dele, a pedra viva – rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus e preciosa para ele – vocês também estão sendo utilizados como pedras vivas na edificação de uma casa espiritual para serem sacerdócio santo, oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus, por meio de Jesus Cristo.

Para que precisamos aprender a viver a doutrina dos apóstolos? Porque essa é a maneira pela qual podemos nos tornar aptos a ser utilizados, como pedras vivas, na edificação da Igreja, que é essa maravilhosa casa espiritual. Meu pai era pedreiro. Quando criança, eu o acompanhava a algumas obras, e via como ele construía uma parede. Lá vinha meu pai, pegava sua colher, jogava a “massa” sobre um tijolo já assentado, e sobre a massa encaixava o novo tijolo. Depois, com o cabo da colher dava duas “batidinhas” no tijolo, e pronto: estava assentado mais um. Só que, às vezes, no final da “fieira” de tijolos, o espaço para o último tijolo era menor do que o tamanho do tijolo. Então meu pai, com a mesma colher, cortava fora um pedaço do tijolo.

E sempre o resultado era um pedaço que se encaixava perfeitamente no vão. As pedras precisam ser trabalhadas para serem encaixadas na construção. É um trabalho de lapidação, de aparar arestas. Esse trabalho é feito quando ensinamos a vontade do Senhor, levando os irmãos a entendê-la e praticá-la. Esse é o trabalho do discipulado, que só pode ser feito “nas casas”, ou seja, em relacionamentos íntimos. Mas, aqui, vamos prestar atenção em dois aspectos muito importantes, que vão nos ajudar a trabalhar melhor nas casas, com nossos irmãos. 1. Eu preciso desejar ser trabalhado. 1 Pedro 2:5 vocês também estão sendo utilizados como pedras vivas...

Isto é muito importante. Não somos meros tijolos. Somos pedras vivas. Pedras vivas têm vontade própria. Têm pernas e braços. Têm bocas. Podem protestar; podem resistir; podem dizer: “Ei, não quero isso! Não quero mudar! Não quero!” Imagine um irmão que aprende que, como diz Paulo a Tito, ele deve ser “moderado”. Isso quer dizer que o irmão não deve ser exagerado; ele deve ser sóbrio, ser temperante. Acontece que ele já é conhecido como o destemperado; é aquele que você tem medo de cumprimentar no trânsito, porque ele pode não te reconhecer e acabar te xingando... Um irmão que está andando com ele o faz ver esse problema; mas ele se recusa a mudar. “Isso é problema meu!” O irmão não tem o que fazer; o tijolo não quer ser encaixado! Fico pensando no meu pai, correndo na obra atrás de um tijolo que foge desesperado, porque não quer ser cortado ao meio para ser encaixado na parede! Paulo diz que as mulheres não devem ser “escravizadas a muito vinho” (Tito 2:3).

Isso deveria ser um problema sério na época. Hoje esse problema pode não ser tão crônico, ao menos entre as mulheres; mas há outros. Talvez hoje Paulo diria que as mulheres não devem ser “escravizadas a muita novela”... “Ninguém tem nada a ver com a minha novelinha!” É verdade, mas sem ela você teria menos lixo ocupando espaço tão preciso em sua mente! Ninguém pode forçar a vontade de um ser humano; nem mesmo o Senhor. Então, é fundamental que desejemos ser trabalhados, a fim de que possamos superar nossas áreas deficientes. Um dia, depois que eu havia dado uma aula “maravilhosa” na Escola de Ministérios, dois homens de Deus, irmãos maduros que conhecem minha vida e têm permissão minha para “mexer” onde for preciso, sentaram comigo para me mostrar alguns equívocos que eu tinha cometido.

Não eram tanto erros no ensino, como pequenos deslizes que mostravam no fundo uma atitude errada em mim. Não foi nada fácil ouvi-los. Nunca é fácil. Mas eu, que naquele momento era o “tijolo” em questão, consegui pela graça de Deus ficar quieto e ser “cortado”. Como resultado, estou encaixado na parede! Melhorei, em aspectos que eu até mesmo ignorava! Viver em relacionamentos, estar “nas casas” com os irmãos significa dar a eles permissão para esse trabalho. Você – e também sua esposa, seus filhos, seus pais, irmãos, parentes, amigos, etc. – serão beneficiados. E, principalmente, Deus Se alegrará ao vê-lo encaixado dentro do Seu edifício! 2. Não podemos ignorar a atuação do Espírito Santo. Isto também é muito importante. Se nos concentrarmos apenas no primeiro ponto, e nos esquecermos deste, corremos sérios riscos.

Por exemplo, corremos o risco de nos tornarmos legalistas. “Você tem que ser assim, e pronto!” E, quando a pessoa não quer, a desprezamos: “Não era discípulo de Jesus!” A doutrina dos apóstolos não era uma edição revista e ampliada da lei de Moisés. “Façam isso, isso, isso e mais isso!” Não! Viver debaixo da lei era frustrante, porque a lei, em si, era boa, mas as pessoas não tinham condições de obedecê-la. Por isso Paulo chama a lei de “ministério que trouxe a morte”. 2 Coríntios 3:7a O ministério que trouxe a morte foi gravado com letras em pedras. Mas essa não é a realidade da Igreja; é a velha aliança, não a Nova. 2 Coríntios 3:3

Vocês demonstram que são uma carta de Cristo, resultado do nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de corações humanos. Isto é o Novo Testamento, a Nova Aliança. E trata-se apenas do cumprimento da antiga promessa feita pelo Pai: Ezequiel 36:26,27 Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne. Porei o meu Espírito em vocês e os levarei a agirem segundo os meus decretos e a obedecerem fielmente às minhas leis. Quando nos rendemos ao domínio de Jesus, entregando nossa vida a Ele, recebemos a “promessa do Pai”: o Espírito Santo dentro de nós, gerando em nós um novo coração. É por causa desse coração que nós, como discípulos de Jesus, podemos obedecer a mandamentos muito mais “difíceis” do que a lei de Moisés.

A lei dizia: “Não adultere”; Jesus diz: “Só olhar com intenção impura já é adultério”. E João, o apóstolo, ainda diz: 1 João 5:3 Porque nisto consiste o amor a Deus: em obedecer aos seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados. Como, não são pesados? Qualquer judeu os consideraria pesados! Mas não são pesados para nós, porque recebemos um novo coração, capaz de obedecer! Sem essa realidade maravilhosa da operação do Espírito, não existiria Igreja; não haveria nada. Por isso é que Jesus ordenou aos discípulos: Lucas 24:49 Eu lhes envio a promessa de meu Pai; mas fiquem na cidade até serem revestidos do poder do alto. A maioria de nós pensa: “Sim, Jesus está falando aqui sobre o falar em línguas”. Bem, realmente no Novo Testamento o falar em línguas era (e é, ainda hoje) o sinal do batismo no Espírito.

Estas coisas estão todas muito relacionadas. Não tente separá-las teologicamente, porque o Senhor nunca tencionou que fossem separadas. Mas compreenda: a “promessa do Pai” vai muito além de falar em línguas e receber, como dizem nossos irmãos pentecostais, o “puder”. A promessa do Pai inclui o falar em línguas, o batismo no Espírito, mas também inclui o novo coração, o espírito novo, a capacidade de amar a Deus e desejar obedecê-lo em tudo. Foi por causa desse “revestimento de poder” que a Igreja primitiva perseverava na doutrina dos apóstolos, dividia o que tinha, amava uns aos outros, tinha temor (que é amor a Deus, desejo de não magoá-lo em nada). A vida da Igreja só era possível por causa dessa maravilhosa promessa do Pai! Sem isso, ficaremos chatos, legalistas, e seremos um “motor sem óleo”.

É essa ação maravilhosa do Espírito, esse “novo coração”, que me faz obedecer; e, se eventualmente um “tijolo” esboça resistência, é esse novo coração que me faz amar esse tijolo e, se for preciso, procurá-lo pelo canteiro de obras inteiro. Deus tem uma grande obra a realizar em nossos dias. É uma obra com a qual Ele sonhou antes da criação do mundo: edificar a Sua Igreja, o Seu povo, a Sua família. Nós somos partes desse sonho de Deus. Então, abra-se para o agir de Deus em você. Vamos “reencontrar o caminho de casa”; praticar a comunhão nos grupos pequenos com objetivos claros, sabendo que, além de toda a maravilhosa vida de comunhão, amizade, etc. da qual usufruímos, estamos sendo encaixados como pedras vivas na casa espiritual que Deus está construindo. Vamos para as casas com o coração aberto, a fim de sermos trabalhados. Seja corajoso! Mas vamos recordar que essa obra só é possível por causa do Espírito Santo. Ele nos deu um novo coração. Vamos depender do Espírito Santo para a realização dessa obra, quer sejamos o “tijolo da vez” a ser lapidado, quer sejamos a “colher de pedreiro” que o Senhor está usando para trabalhar na vida de alguém. Que a graça do Senhor inunde nossas vidas!


Pastor Anésio Souza
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