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domingo, 25 de julho de 2010

Até que o túmulo os façam calar


“Julguem os homens e falem de ti como lhes aprouver: suas palavras não transporão as estreitas regiões terrestres, nem se renovará o seu eco; morrerá com uma geração, extinguindo-se no esquecimento da posteridade” . (Cícero, “Da República”)

Eu não consigo entender o porquê de tantas pessoas passarem uma noite inteira sem dormir só pelo fato de alguém ter falado mal delas. Sim, porque o que dizem de mim em nada alterará a direção do vento. Apesar de tudo, o Sol continuará brilhando com todo o seu fulgor, e as ondas do mar permanecerão em grande afluência, agitando-se conforme as leis da natureza. Eu não tenho que perder sequer uma hora de sono porque Fulano disse algo ruim a meu respeito. Não posso ser dominado pela agitação nervosa só porque Sicrano disse para Beltrano que eu fiz tal e tal... Não faz sentido sofrer de gastrite nervosa por causa do que os outros dizem ou pensam de mim! Até quando teremos a serenidade de espírito pregada por Jesus? Até que ponto cremos realmente nas verdades ditas por Cristo? Sim, porque até levássemos em conta o que ele ensinou e, como seguidores dele, necessariamente deveríamos viver mesmo que minimamente o que ele viveu: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós” (Mt. 5:11,12).

Sim, é bem verdade que às vezes precisamos (a vida impõe isso) agir com ímpeto. Não há necessidade de levarmos uma bofetada na cara para afirmarmos nossa fé em Cristo! Absolutamente. Contudo, ninharias tais como mexericos, enredos de vizinhos faladores, fuxicos, intrigas de compadres e comadres, bisbilhotice alheia, o disse-me-disse etc., jamais deveria mover-nos de nossa paz interior. Que fale o mundo de mim, que grite e diga absurdos a meu respeito, entretanto, tal qual um pássaro que dorme sossegadamente no meio de uma tempestade, assim repousarei pensando no lindo sol que logo haverá de despontar no horizonte. Se minha consciência está em paz, se os falatórios não são conseqüências do meu mau comportamento, que desçam as águas das injúrias, que desabem os precipícios das discórdias, que descarreguem os trovões das injustiças, que se movam os vulcões das bocas difamatórias, todavia, como um ingênuo peixinho ignora o barulho das águas, da mesma forma não tomarei conhecimento dos gritos daqueles que, para viver, precisam falar, e falar, e falar, e falar... Até que o túmulo os façam calar, e calar, e calar, e calar...

Por: Jaime Nunes Mendes
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